Queda de cabelo após infecção por Covid-19: por que acontece?

Desde o início de 2020, médicos e cientistas têm estudado para entender todas as consequências causadas aos pacientes infectados pelo novo coronavírus. Estudos recentes, realizados na Suécia, Estados Unidos e México, apontam que a queda dos fios de cabelo é a quarto principal sintoma prolongado da doença (perdendo somente para fadiga 58%, cefaleia 44% e transtorno de déficit de atenção 27%), sendo experienciada por 25% dos pacientes. Isso acontece após processos inflamatórios e geralmente de dois a três meses depois da infecção.

Para entender melhor essa condição, é preciso conhecer o ciclo de crescimento do cabelo em três fases: anágena, catágena e telógena. A fase anágena é quando os fios começam a crescer, dura em torno de 2 a 7 anos e o comprimento do cabelo é determinado por essa fase, com taxa de crescimento de 1 cm / mês . Nos cabelos normais e saudáveis, 90% dos fios encontram-se na fase anágena, em crescimento.

Em seguida, a fase catágena, é caracterizada por ser um estágio rápido de transição e degradação, em que o crescimento pára e os fios de cabelo se desprendem da papila. A última fase é a telógena, um período de repouso que dura em média de 3 a 5 meses, em que a papila não fornece nutrientes para os fios e o cabelo, de fato, cai. 10% dos fios capilares encontram-se na fase telógena.

Queda de cabelo: Eflúvio Telógeno Agudo

A queda de cabelo pós-Covid-19 se apresenta na última fase do ciclo capilar e como quadro clínico, o chamado Eflúvio Telógeno Agudo (ETA), uma condição comum que pode se manifestar em diversos casos como, situações de estresse emocional, deficiências nutricionais, doenças sistêmicas, uso de medicamentos e em momento pós-cirúrgico e pós-parto. O ETA promove uma antecipação da fase telógena e converte mais fios para a queda, fazendo com que, ao invés de cair a quantidade normal de cabelo, de 100 a 120 fios diariamente, caiam de 200 a 300 fios.

O ETA geralmente acontece após 3 meses de um quadro infeccioso e/ou inflamatório. Porém, muitas vezes o próprio estresse emocional gerado pelo isolamento social, pela preocupação constante de ter contraído a COVID 19 ou mesmo pela ansiedade excessiva de ver os cabelos caindo, faz com que o ETA se potencialize.

A queda de cabelo causada pelo ETA não costuma deixar falhas no couro cabeludo, pois é difusa e autolimitada, ou seja, tem uma duração predeterminada – cerca de dois a quatro meses, isso se o paciente não apresenta nenhuma doença ou condição associada. Porém, a infecção por Covid-19 pode servir de gatilho para outros tipos de queda, como a Alopecia Areata, doença em que a queda de cabelo causa falhas circulares no couro cabeludo. Nesse caso, o tratamento deve ser precoce, acompanhado por um médico especialista e medicamentos específicos para que a doença não progrida.

No caso do ETA, não há um tipo de tratamento específico, é necessário consultar um médico especialista para verificar quais medidas devem ser tomadas. Nem todos os casos necessitam de tratamento, geralmente a condição acaba se resolvendo sozinha após alguns meses. Às vezes são indicadas algumas substâncias de uso tópico ou oral para minimizar o problema. Também não existe nenhuma forma de evitar o desenvolvimento da condição.

Se o paciente que contraiu Covid-19 notar que, mesmo após a infecção, ainda existe uma queda exacerbada de cabelo, deve-se procurar um médico para investigar as causas e definir o tratamento mais adequado.

Cuidados com a saúde capilar

O cabelo e o couro cabeludo são áreas do corpo humano que sofrem com fatores internos e externos. E podem ser sinalizadores de alterações hormonais e metabólicas do corpo. Existem algumas medidas que podem ser tomadas para o fortalecimento da saúde capilar.

Para ter certeza que os fios estão bem nutridos, é preciso checar se os níveis de hemoglobina no sangue estão dentro da taxa esperada. Estas são as células responsáveis por transportar oxigênio para as demais células do corpo. Ajuda também ter uma alimentação rica em ferro – presente em alimentos como feijão, espinafre, carne vermelha e castanha de caju.

Uma alimentação equilibrada é de extrema importância para a manutenção da saúde capilar. Além dos alimentos ricos em ferro, é preciso ingerir as porções sugeridas de minerais, proteínas, gorduras e carboidratos de boa qualidade. Durante o dia a dia, nem todos conseguem ter uma dieta rica em todos esses nutrientes, então, é possível ver com o médico a possibilidade da ingestão de complementos vitamínicos que podem ajudar a tornar os fios mais fortes e resistentes.

Para ter cabelos saudáveis, existem mais alguns cuidados. Prender o cabelo em rabos de cavalo e coques muito apertados pode além de quebrar os fios, também levar a queda capilar de tração – a melhor alternativa é usar elásticos de tecidos mais suaves. Usar chapinhas e secadores pode tornar os fios fracos e quebradiços, pois o calor constante – perto do couro cabeludo – pode inflamar os folículos pilosos e dificultar o crescimento dos fios. Também é importante evitar banhos quentes, já que a temperatura elevada da água abre as cutículas e acarreta o ressecamento dos fios.
*A Dra. Leticia Odo é formada em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – Escola Paulista de Medicina (EPM). Foi Preceptora dos residentes da Disciplina de Cirurgia Plástica da UNIFESP em 2011 e colaboradora no setor de Estética, orientando e especializando-se em cirurgias de Face. Possui título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Além de ser membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Membro da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar. Faz parte do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo, como o Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio Libanês entre outros hospitais conceituados. http://clinicasodo.com.br/index.php/dra-leticia-odo/

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